terça-feira, 8 de julho de 2014

Algum dia.

Já faz aproximadamente um ano e 4 meses desde que eu saí de casa. Desisti, ao menos emocionalmente. E em menos de 1 mês fará um ano desde a oficialização da minha separação. Estou solteira depois de um relacionamento que, sinceramente, nunca foi normal. Não sinto falta de praticamente nada do meu ex e muitas vezes mal lembro de que um dia fui casada. Sinto falta de ter minhas coisas, minha casinha. Sinto falta da época que morei sozinha. Só.

Mas os resquícios e as sequelas existem. Não consigo pensar no meu futuro sem ter um medo imenso de não conseguir me apaixonar. Não consigo conhecer ninguém sem ter medo de me apaixonar. É uma controvérsia horrível.

Eu quero casar e ter filhos e ter uma vida 'normal', do jeito que deveria ter sido. Quero construir minha família e cuidar da minha casa. Aproveito o tempo na casa dos meus pais pra reaprender algumas coisas, me aperfeiçoar em outras e me tornar uma futura esposa melhor.

Eu não quero me machucar de novo emocionalmente. Não aguento mais os altos e baixos das paixonites. Não lido mais muito bem com a incerteza de uma paquerinha e não quero dar vazão a sentimento algum. Se eu acho que estou me envolvendo emocionalmente com alguém, é a hora de encerrar, fechar as portas e ir embora.

Muitas vezes eu acho que apenas "não é a hora certa". Na verdade, não sei se em algum momento vou sentir que é a hora certa, ou a pessoa certa. É tanta incerteza e tanto temor de me machucar de novo, de me enganar tão cruelmente mais uma vez.

Estou sozinha, sozinha, e não sinto falta de nada nesse momento. Mas algumas vezes, bem algumas, sinto falta de carinho e de um amor. Alguém pra me abraçar e me levar ao cinema, alguém com quem fazer planos para o futuro, alguém com quem eu imagine nossos filhos... Não chega a ser uma tristeza, é mais um incômodo.

Eu só espero que um dia a fé de que vai dar certo supere o medo de estar errada - de novo. Espero um dia ser correspondida por alguém que me respeite acima de tudo. Alguém que eu admire, alguém que cuide de mim e nunca me deixe insegura ou desamparada. Que me ame, que me abrace, que me leve ao cinema e que imagine como serão nossos filhos.

3 comentários:

Neurotica no Diva disse...

Tem seculos que eu nao caminho pelo mundo do meu agora abandonado blog. Mas entrei hoje e fui visitar os velhos amigos, e voce é a unica q ainda posta. E posta justamente sobre uma experiencia que eu tbm vivo no momento - separacao, divorcio. Quando eu lia o seu blog, éramos tao jovens e tao longe dessa realidade de gente grande. A palavra divorciada é um monstro pra mim. Mas a gente supera.

Luana Rios disse...

O medo vem antes do novo, do desconhecido... Que graça teria a vida sem essas fugidas da nossa previsão, do nosso controle? Acho que a reflexão que fica é sobre como a gente pode ser melhor a partir de qualquer coisa... e melhor pra dentro, pra si.

Beijo de sua antiga (e desaparecida) leitora, Luana.

Kiki disse...

Neurótica, não tenho como te contatar, mas se você algum dia ler esse comentário, queria poder dizer que fica mais fácil, mas a palavra divorciada ainda é um monstro pra mim também. Não sei se essa parte fica mais fácil. Não sei algum dia vou me acostumar a dizer "estado civil, divorciada" com naturalidade. Sempre causa uma mini repulsa. Um saco.